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Luta para salvar um gigante ameaçado

Por: Marcelino Temiha Calenga


Quando entrei no curso de Biologia Marinha, imaginava que a minha ligação com o

oceano se resumiria a livros, artigos científicos e horas em laboratório. Não sabia que

um projeto me levaria das salas de aula para os trabalhos de campo, dos conceitos

teóricos para conversas com pescadores, e que transformaria a minha visão sobre o

que significa, verdadeiramente, conservar.

O Angola Elasmo Project (AEP) tornou-se muito mais do que um projeto de pesquisa, tornou-se o espaço onde o meu conhecimento académico ganhou vida, propósito e um

impacto tangível.


O despertar de uma consciência

Enquanto estudante, sempre me preocupei com a biodiversidade marinha. Mas foi no

AEP que compreendi, com clareza, o papel vital dos tubarões e raias nos ecossistemas

angolanos e a urgência silenciosa da sua proteção. Aqui, a aprendizagem saiu dos manuais:

No terreno: A observar, registar e sentir a dinâmica do ecossistema. No laboratório: A analisar dados que contam uma história real sobre a nossa fauna. Na comunidade: A trocar experiências com pescadores e as peixeiras, os verdadeiros conhecedores do nosso mar. Esta imersão ensinou-me que os números das capturas não são só estatísticas, são sustento, tradição e um ponto de partida crucial para o diálogo.


O coração da conservação: ciência, educação e comunidade

O meu dia a dia no projeto desconstruiu um mito: conservação não é só sobre espécies, é sobre pessoas. Aprendi que proteger os elasmobrânquios significa gerar ciência aplicada que fale a língua da realidade local. Educar e sensibilizar as comunidades construindo pontes entre o saber académico e o saber tradicional.

E considerar os fatores sociais e económicos que estão ligados à saúde dos oceanos.


Peixeira local prepara peixe para posterior salga e secagem.  Foto | Bernardo de Abreu Cotrim
Peixeira local prepara peixe para posterior salga e secagem. Foto | Bernardo de Abreu Cotrim

Um impacto que molda o futuro

Confesso, o AEP alterou o meu percurso. Influenciou as minhas escolhas académicas, aguçou o meu sentido de responsabilidade como futuro profissional e clareou o

caminho que quero seguir. Hoje, vejo este projeto como um pilar da minha identidade. É onde o meu propósito se encontra com ação, ciência se alinha a compromisso e a minha paixão por biologia se transforma em ferramenta para mudança.

Ao unir ciência, educação e participação comunitária, o AEP não só recolhe dados inéditos sobre os elasmobranquios em Angola, mas também mostra que a coexistência entre o ser humano e os elasmobranquios é possível e que o desenvolvimento humano e pesqueiro pode sim caminhar lado a lado com a conservação.


Mais do que um Projeto, um Legado

Participar no Angola Elasmoproject é, para mim, muito mais do que uma experiência

académica. É contribuir ativamente para um futuro mais consciente e sustentável para

os oceanos de Angola. É aprender que a verdadeira conservação começa no respeito pelo ecossistema e por todas as vidas que dele dependem.


Marcelino Temiha Calenga
Marcelino Temiha Calenga




 
 
 

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